ENTENDA COMO A INFLAÇÃO DE DOIS DÍGITOS VAI TE AFETAR EM 2022

Segundo o relatório Focus, realizado pelo Banco Central no final de novembro, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para este ano foi revisto de 9,77% para 10,12%


terça-feira dezembro 7, 2021

Economistas, e até o Banco Central, têm feito estimativa de inflação acima de dois dígitos ainda neste ano, o que deve elevar ainda mais o preço da gasolina, que pode chegar a R$ 10, e alimentação, impactando negativamente o bolso do brasileiro. Segundo o relatório Focus, realizado pelo Banco Central no final de novembro, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para este ano foi revisto de 9,77% para 10,12%. Há um mês, as projeções estavam em 8,96%. E para o ano que vem, quais são as projeções, o que esperar?

O economista e professor do Ibmec Gilberto Braga explica que o cenário ficará mais complicado por conta da indefinição eleitoral, que deve se arrastar até às vésperas da decisão das urnas, e isso atrasa a tomada de decisão empresarial, dificultando a geração de empregos e o surgimento de novos negócios.

“O ano de 2022 será desafiador por conta da crise econômica mundial imposta pela pandemia da Covid-19 em 2020 e 2021. Haverá repercussões ainda em 2022 com a retomada ainda lenta da atividade econômica como um todo, incluindo o Brasil. Uma série de fatores pode impactar o custo de vida, como os preços da energia elétrica e dos combustíveis”, acrescenta Alexandre Prado, especialista em finanças.

Por que gasolina a R$ 10? Segundo Braga, por ser derivado de petróleo, e enquanto existir a paridade de preços, ela tende a permanecer sendo reajustada por conta da matriz de petróleo. Ou seja, o câmbio e o preço do petróleo internacional afetam o que se cobra na gasolina comercializada no Brasil.
“O cenário político não dá tranquilidade para o desenvolvimento econômico em 2021. Com inflação ainda alta, mas menor que em 2021, taxa de juros ainda crescendo e geração de empregos insuficiente para diminuir de maneira drástica o desemprego do brasileiro, o próximo ano será de muitas dificuldades”, avalia Gilberto Braga, que prevê um crescimento menor para o Produto Interno Bruto (PIB): de 0,5% a 1% ainda neste ano.

“Esse crescimento não é suficiente para uma melhoria de qualidade de vida e da renda do brasileiro de uma forma geral”, diz.

Variantes da Covid
Outro aspecto que pressiona a economia em 2022, segundo Gilberto Braga, é como o governo e a medicina vão lidar em relação com as variantes do coronavírus.

“Nós temos agora a variante Ômicron, mas poderão surgir novas e isso depende do ritmo de vacinação no mundo e das medidas de proteção à proliferação da Covid e suas múltiplas formas de manifestação”, avalia o economista.

Ele destaca que “todas as vezes que surge uma nova variante, ou há indícios de medidas que restringem o funcionamento social e econômico, obviamente isso tem impacto negativo nas decisões dos agentes econômicos”.

Já a previsão para o dólar é que ele permaneça abaixo dos R$ 6, mas no cenário que são traçados que, de alguma maneira, acham que a situação vai ficar mais ou menos como está. Ou seja: inflação elevada, taxa de juros elevada, PIB com crescimento pequeno — e até mesmo negativo em 2021 e com leve alta em 2022.

Pão francês, o queridinho da mesa, mais caro
A mesa do brasileiro — que em 2020 e 2021 teve que substituir a carne por ovo por conta da alta do bovino — deve dar um “refresco” em alguns itens. Mas no geral, na alimentação, o viés continua sendo de alta.

De acordo com economistas, produtos que tenham insumos precificados com base no mercado internacional, como a farinha de trigo, por exemplo, podem subir mais. Entre esses produtos está o queridinho da mesa do brasileiro: o pão francês. Isso porque o Brasil não é autossuficiente em trigo, tendo que importar o produto do Canadá e da Argentina, por exemplo, que sofre impacto do câmbio.

Mas, de acordo com o economista Gilberto Braga, se houver um ano melhor em termos de safra e de colheita, o preço pontual destes produtos poderá cair.
“Já havia uma expectativa de crescimento menor do agronegócio, que foi piorada por conta de questões climáticas. E fez com que esses produtos chamados commodities subissem bastante. A tendência é de que não caiam e se mantenham elevados”, acrescenta Gilberto Braga.

E a carne bovina?

“O preço no mercado internacional pode ficar abaixo do registrado em 2021, possibilitando uma maior oferta no Brasil, o que poderá representar uma pequena redução nos preços”, avalia Alexandre Prado.

Outros itens que podem se estabilizar, mas com viés de baixa, são arroz e feijão. De acordo com Prado o movimento se justifica por conta das seguidas altas ao longo de 2021.

Produtos da estação para driblar o preço alto
Uma alternativa para driblar os preços altos, segundo economistas, é aproveitar produtos da estação, como por exemplo: pescados, batata, melancia, que estão mais em conta e são mais leves para a saúde e o bolso.

“Como podemos perceber, a estratégia é ter uma alimentação mais leve na estação mais quente do ano, aumentando o consumo de frutas e vegetais da safra, e reduzindo um pouco o consumo de alimentos com digestão mais difícil, como acontece quando consumimos muitas proteínas, porque também possuem mais gorduras”, explica a nutricionista Hediane Oliveira.

“Como o mês de dezembro as pessoas têm uma tendência maior a consumir aves, o preço da carne vermelha desce” avalia a nutricionista.

“Com o aumento no preço do arroz, podemos substituir pela batata, que é excelente fonte de carboidrato.”

Confira frutas, legumes e verduras de cada estação

Janeiro
Frutas: abacaxi, carambola, coco verde, figo, framboesa, fruta do conde, laranja-pera, mamão, maracujá, melancia, nectarina e uva;
Verduras: alface, cebolinha, couve e salsa;
Legumes: abóbora, abobrinha, beterraba, pepino, pimentão, quiabo e tomate.

Fevereiro
Frutas: abacate, ameixa, carambola, coco verde, figo, fruta do conde, goiaba, jaca, maçã, pera, pêssego, seriguela e uva;
Verduras: escarola, hortelã e repolho;
Legumes: abóbora, gengibre, milho verde, pepino, pimentão, quiabo e tomate.

Março
Frutas: abacate, abacaxi, ameixa, banana-maçã, banana-nanica, coco verde, figo, fruta do conde, goiaba, jaca, limão, maçã, mamão, mangostão, nectarina, pera, uva, pêssego, seriguela e tangerina;
Verduras: acelga, alface, alho-poró, coentro, endívia, escarola, repolho, rúcula e salsa;
Legumes: abóbora, abobrinha, berinjela, beterraba, cará, chuchu, gengibre, inhame, jiló, milho-verde, nabo, pepino, quiabo e tomate.

Abril
Frutas: abacate, ameixa, banana-maçã, caqui, cidra, jaca, kiwi, maçã, mamão, pera, tangerina e uva;
Verduras: alface, alho-poró, almeirão, catalonha, escarola e repolho;
Legumes: abóbora, abrobrinha, berinjela, beterraba, cará, chuchu, gengibre, inhame, nabo, pepino e tomate.

Maio
Frutas: abacate, banana-maçã, caqui, jaca, kiwi, maçã, pera, tangerina e uva;
Verduras: alho-poró, almeirão, erva-doce, louro, nabo;
Legumes: abóbora, abobrinha, batata-doce, berinjela, beterraba, cará, cenoura, chuchu, inhame, mandioca, mandioquinha, nabo e rabanete.

Junho
Frutas: carambola, kiwi, laranja-lima, mangostão, marmelo, mexerica e tangerina;
Verduras: agrião, alho-poró, almeirão, brócolis e erva-doce;
Legumes: abóbora, batata-doce, berinjela, cará, cenoura, ervilha, gengibre, inhame, mandioca, mandioquinha, milho-verde e palmito.

Julho
Frutas: carambola, kiwi, laranja-lima, mexerica e tangerina;
Verduras: agrião, alho-poró, chicória, coentro, couve, erva-doce, espinafre, mostarda e salsão;
Legumes: cenoura, abóbora, batata-doce, cará, cogumelo, ervilha, inhame, mandioca, mandioquinha, milho-verde, nabo, palmito, pepino e rabanete.

Agosto
Frutas: banana-nanica, caju, carambola, kiwi, laranja-pera, lima, maçã, mamão, mexerica, morango e tangerina;
Verduras: agrião, alho-poró, brócolis, chicória, coentro, couve, couve-flor, erva-doce, escarola, espinafre, mostarda e rúcula;
Legumes: abóbora, abobrinha, cará, cenoura, ervilha, fava, inhame, mandioca, mandioquinha, nabo, pimentão e rabanete.

Setembro
Frutas: abacaxi, banana-nanica, caju, jabuticaba, laranja-lima, laranja-pera, maçã, mexerica, nêspera, tamarindo e tangerina;
Verduras: alho-poró, almeirão, brócolis, chicória, couve, couve-flor, erva-doce, espinafre, louro e orégano;
Legumes: abóbora, abobrinha, cará, cogumelo, ervilha, fava, inhame, pimentão e rabanete.

Outubro
Frutas: abacaxi, acerola, banana-nanica, banana-prata, caju, manga, coco-verde, jabuticaba, laranja-pera, lima, maçã, mamão, nêspera e tangerina;
Verduras: alho-poró, almeirão, brócolis, catalonha, cebolinha, chicória, coentro, couve-flor, erva-doce, espinafre, folha de uva, hortelã, mostarda e orégano;
Legumes: abóbora, abobrinha, alcachofra, aspargos, batata-doce, berinjela, beterraba, cenoura, cogumelo, ervilha, fava, inhame, pepino, pimentão, rabanete, tomate e tomate-caqui.

Novembro
Frutas: abacaxi, acerola, banana-nanica, banana-prata, caju, coco verde, framboesa, jaca, laranja-pera, maçã, mamão, manga, maracujá, melancia, melão, nectarina, pêssego e tangerina;
Verduras: alho-poró, almeirão, brócolis, cebolinha, endívia, erva-doce, espinafre e folha de uva;
Legumes: abobrinha, aspargos, berinjela, beterraba, cenoura, inhame, maxixe, nabo, pepino, pimentão e tomate.

Dezembro
Frutas: abacaxi, ameixa, banana-prata, cereja, coco verde, damasco, figo, framboesa, graviola, kiwi, laranja-pera, limão, lichia, maçã, manga, maracujá, melancia, melão, nectarina, pêssego, romã e uva;
Verduras: almeirão, cebolinha, endívias, erva-doce, folha de uva, hortelã, orégano, rúcula, salsa e salsão;
Legumes: abobrinha, beterraba, cenoura, cogumelo, pimentão, tomate e vagem macarrão.
Fonte: www.akatu.org.br (Fonte: Brasil Econômico iG)