Um a cada quatro brasileiros sofre com falta de comida, mostra relatório da ONU

Um novo relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), lançado nesta segunda-feira, aponta o crescimento do número de brasileiros em situação de insegurança alimentar.


terça-feira julho 13, 2021

De acordo com o documento, um a cada quatro brasileiros (23,5%) sofreu com a falta de comida de maneira moderada ou severa ao longo do biênio 2018-2020. A média é 5,2 pontos percentuais superior à do biênio 2014-2016. Em números absolutos, 12,1 milhões de brasileiros começaram a integrar essa estatística quando são comparados os últimos 4 anos. Trata-se de um número comparável ao de habitantes da cidade de São Paulo, o maior município do país.

A agência classifica como insegurança alimentar a indisponibilidade de se alimentar, seja por falta de dinheiro ou recursos físicos e sociais, ao longo de um ano. O estudo também leva em conta a redução da qualidade e da quantidade de alimentos por não poder pagá-los, por exemplo. A mudança no padrão alimentar considerada pelo relatório é aquela que traz prejuízos à saúde e ao bem-estar do indivíduo.

A fatia do grupo em insegurança alimentar severa — patamar que mede o número de pessoas que passaram fome, com grave risco para a saúde — quase dobrou ao longo do mesmo período, saltando de 1,9% para 3,5%.

Pandemia teve efeito devastador
Este foi o primeiro anúncio sobre subalimentação e má nutrição divulgado pela agência desde o início da pandemia da Covid-19. Especialistas da FAO afirmam que o efeito da pandemia quanto à falta de alimentação adequada foi “devastador”.

— Considerávamos que essa geração seria a primeira a ver a erradicação da fome e da insegurança alimentar na América Latina. Agora, já não é mais possível fazer essa afirmação — diz Gustavo Chianca, representante adjunto da FAO no Brasil.

O mesmo trabalho ainda lista um panorama mundial. O Brasil, de acordo com o relatório, tem indicadores melhores do que os da América Latina, quando observada como bloco. O trabalho aponta que 33,1% da população latina tem insegurança alimentar moderada ou severa. Na Europa, a média é de 8,1% e na África, de 55,5%.

Em posição muito mais favorável está o Japão, com 3,4% da população em nível de insegurança alimentar de severo a moderado, sendo uma contagem inferior a 0,5% a quantidade de japoneses passando fome efetivamente. O Chile, na América do Sul, tem essas médias em 17,9% e 4,3% respectivamente.

Alimentação na pandemia
O mesmo documento aponta que os hábitos alimentares da população pioraram ao longo da pandemia da Covid-19. Há, por exemplo, o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados.

Dados do UNICEF, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, citados pela agência de alimentação, apontam que 31% das casas brasileiras com crianças aumentaram o consumo de alimentos com alto processamento ao longo do período de quarentena.

Nas casas onde há apenas adultos esse mesmo consumo teve alta, mas de maneira menos intensa, chegando a 18%. (Fonte: Extra)